Operadora e concessionária de energia são condenadas a indenizar ciclista que se feriu ao enroscar pescoço em fio solto em rua do RS
Operadora e concessionária de energia são condenadas a indenizar ciclista A Justiça do Rio Grande do Sul condenou a CEEE Equatorial, concessionária de energ...
Operadora e concessionária de energia são condenadas a indenizar ciclista A Justiça do Rio Grande do Sul condenou a CEEE Equatorial, concessionária de energia, e a operadora Vivo a pagarem indenização a um adolescente que ficou ferido após se enroscar em um fio solto enquanto andava de bicicleta em Porto Alegre. O acidente aconteceu em março de 2025, na Rua Doutor Timóteo, no bairro Floresta. A sentença, assinada pela 5ª Vara Cível do Foro Central da capital em 5 de janeiro de 2026, reconheceu a responsabilidade solidária das duas empresas e determinou o pagamento de R$ 30 mil por danos morais, além de indenização por danos estéticos, cujo valor ainda será apurado. Cabe recurso da decisão. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A reportagem buscou as duas empresas. A Vivo informou "que não comenta decisões judiciais em curso". Já a CEEE Equatorial "reforça que lamenta o ocorrido com o ciclista. A companhia ressalta que essa é uma decisão judicial de primeira instância, passível de recurso, razão pela qual irá avaliar os próximos passos a serem tomados no processo". Na época do acidente, o ciclista tinha 16 anos. Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que um cabo de telefonia, que estava atravessado na via em altura inferior à adequada, se enrosca no pescoço do adolescente. Ele conseguiu se desvencilhar, mas sofreu ferimentos no pescoço e na mão ao tentar retirar o fio e precisou de atendimento médico. Ciclista de 16 anos fica ferido ao enroscar pescoço em fio solto no meio da rua em Porto Alegre Segundo a sentença, ficou comprovado que o cabo pertencia à Vivo e que a situação de risco surgiu após um serviço de poda de árvores realizado pela CEEE dias antes do acidente. Para o juiz, houve falha na prestação do serviço por parte das duas concessionárias, que não garantiram a segurança da fiação após a intervenção. “As duas rés contribuíram para o fato: a CEEE por ter realizado a poda das árvores e deixado a fiação de forma irregular, e a Telefônica Brasil por ser a proprietária do fio e não solucionar o problema de forma célere”, afirma o magistrado Alexandre Kreutz na decisão. A Justiça também aplicou o Código de Defesa do Consumidor ao caso, mesmo sem relação direta de consumo entre o adolescente e as empresas, ao entender que ele se enquadra como consumidor por equiparação — quando uma pessoa é atingida por falhas na prestação de um serviço público. Ao fixar o valor da indenização, o juiz destacou a gravidade do acidente, o fato de a vítima ser menor de idade e o risco de consequências ainda mais graves, inclusive letais. A sentença ressalta que o cabo atravessado na rua representava “uma verdadeira armadilha” para quem transitava pelo local: "O cabo que restou solto após a poda das árvores evidencia uma falha sistêmica de comunicação, fiscalização e execução entre as rés, o que torna inescusável a omissão de ambas as empresas, que deveriam atuar coordenadamente. E mais, entendo que a conduta omissiva das rés é agravada pela previsibilidade do dano e pela amplitude do risco criado, que não foi um evento fortuito, mas um perigo conhecido a ser mitigado. É dizer, a fiação atravessada na via constituiu uma verdadeira armadilha que vitimou o autor, menor de idade, mas tinha potencial para causar danos fatais a outros". Em março de 2025, após o acidente, a CEEE Equatorial afirmou que a responsabilidade pelos fios de telefonia era das empresas de telecomunicações. Já a Vivo informou que a fiação fazia parte de sua rede e que enviaria uma equipe técnica para regularizar a situação. As manifestações constam no processo e foram analisadas pela Justiça. Plano de retirada de fios soltos Após determinação do Ministério Público, a CEEE Equatorial teria até esta segunda (26) para entregar um plano de trabalho para retirada dos fios soltos na cidade. Em caso de atraso, corre a multa de R$ 10 mil por dia. De acordo com o promotor Felipe Teixeira Neto, entretanto, até o momento, não há nenhum documento anexado. Após o posicionamento da CEEE Equatorial, que afirmou cumprir integralmente a decisão, o promotor reiterou que, formalmente, o plano ainda não consta nos autos. Operadora e concessionária de energia são condenadas a indenizar ciclista que se feriu ao enroscar pescoço em fio solto em rua do RS Imagens cedidas VÍDEOS: Tudo sobre o RS